TJB espera as denúncias da imprensa
Gostei de algumas coisas que a desembargadora Telma Brito falou, em entrevista ao repórter Vitor Rocha, publicada nesta segunda-feira pelo jornal A TARDE, mas estranhei algumas outras. Para não ser negativo, achei muito positivo a nova presidente do TJ afirmar que uma das suas prioridades é dar mais agilidade ao julgamento de processos e fixar a meta de ultrapassar o número de 220 mil casos encerrados na Justiça comum em 2009, só na capital baiana.
E gostei porque tenho dito, aliás, a desembargadora também disse isto na entrevista, que o Poder Judiciário é o grande garantidor dos direitos do cidadão e, portanto, do exercÃcio da cidadania e da própria democracia. Como consequência, um Judiciário ruim, lento e defasado só faz prejudicar a sociedade, especialmente aqueles mais carentes, que não têm dinheiro para pagar a advogados que façam os processos circular com mais rapidez (ou barrá-los, conforme o interesse).
Mas estranhei quando a desembargadora, ao falar da necessidade de manter a credibilidade do Judiciário, julgando e condenando aqueles magistrados que tenham sido acusados de corrupção ou de irregularidades pareceu evitar comprometer-se com a apuração do comportamento dos integrantes da instituição.
Quando o repórter lhe fez a ressalva, diretamente: “Mas as partes podres têm que ser expurgadas, até para manter a credibilidade“, a desembargadora respondeu transferindo para a imprensa o dever da investigação: “Sem nenhuma dúvida. A imprensa pode descobrir e nos passar as provas“.
Tudo bem que eu até defenda também que um dos papéis da imprensa é mesmo investigar, mas daà a uma autoridade abrir mão desse dever não cai bem. Pelo menos na minha humilde opinião. Até porque o TJ tem uma Corregedoria justamente para isto.



