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TJB espera as denúncias da imprensa

Gostei de algumas coisas que a desembargadora Telma Brito falou, em entrevista ao repórter Vitor Rocha, publicada nesta segunda-feira pelo jornal A TARDE, mas estranhei algumas outras. Para não ser negativo, achei muito positivo a nova presidente do TJ afirmar que uma das suas prioridades é dar mais agilidade ao julgamento de processos e fixar a meta de ultrapassar o número de 220 mil casos encerrados na Justiça comum em 2009, só na capital baiana.

E gostei porque tenho dito, aliás, a desembargadora também disse isto na entrevista, que o Poder Judiciário é o grande garantidor dos direitos do cidadão e, portanto, do exercício da cidadania e da própria democracia. Como consequência, um Judiciário ruim, lento e defasado só faz prejudicar a sociedade, especialmente aqueles mais carentes, que não têm dinheiro para pagar a advogados que façam os processos circular com mais rapidez (ou barrá-los, conforme o interesse).

Mas estranhei quando a desembargadora, ao falar da necessidade de manter a credibilidade do Judiciário, julgando e condenando aqueles magistrados que tenham sido acusados de corrupção ou de irregularidades pareceu evitar comprometer-se com a apuração do comportamento dos integrantes da instituição.

Quando o repórter lhe fez a ressalva, diretamente: “Mas as partes podres têm que ser expurgadas, até para manter a credibilidade“, a desembargadora respondeu transferindo para a imprensa o dever da investigação: “Sem nenhuma dúvida. A imprensa pode descobrir e nos passar as provas“.

Tudo bem que eu até defenda também que um dos papéis da imprensa é mesmo investigar, mas daí a uma autoridade abrir mão desse dever não cai bem. Pelo menos na minha humilde opinião. Até porque o TJ tem uma Corregedoria justamente para isto.

Geddel critica programa do governo

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (pré-candidato do PMDB ao governo do Estado), aproveitou o comentário semanal que faz na Rádio Metrópole, de Salvador, para praticar o seu esporte favorito dos últimos meses: criticar a administração estadual. Desta vez ele mirou no programa Topa (Todos pela Alfabetização) tendo como base reportagem publicada na edição de domingo do jornal A TARDE (Leia aqui a reportagem completa).

 Logo de cara ele desqualificou o projeto baiano, lembrando que o Topa é, na verdade, o programa federal Brasil Alfabetizado “que aqui na Bahia mudou de nome e aparece na propaganda como o maior programa da alfabetização de adultos do país“. E, entre outras coisas, afirmou que a situação do programa de alfabetização, um dos carros chefes da propaganda do governo estadual, conforme foi revelada pela reportagem,  mostra a distância entre a propaganda e a realidade na Bahia:

No Topa da propaganda não aparecem as salas de aula mal iluminadas e sem espaço adequado, a falta de merenda, material didático e transporte. A versão bonita e emocionante da propaganda do governo também esconde os problemas reais das aulas suspensas e até a existência de turmas fantasmas“.

É a campanha eleitoral em marcha, mesmo que disfarçada de pré-campanha.

Campanha tende mesmo a ser plebiscitária

O comportamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, nos últimos dias, quando ele decidiu voltar a atacar o presidente Lula e, principalmente deu uma série de declarações falando das realizações do seu governo, caiu como a sopa no mel para a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e dos articuladores da sua candidatura à Presidência. Porque tudo o que o presidente Lula e o PT sempre quiseram foi que a eleição presidencial seja disputada neste clima de plebiscito, colocando para o eleitor as opções de votar no governo de agora ou no governo anterior. 

Montado em estrastoféricos índices de popularidade, Lula acredita que ganha fácil no comparativo com os oito anos de FHC e isto beneficiará diretamente sua candidata. Além das suas realizações no período, Lula e os seus articuladores sabem que a memória do povo retém o que foi feito por último, o que também lhe é favorável.

Também por saber disto é que Dilma apressou-se em responder ao ex-presidente, aceitando o desafio de fazer comparações entre as duas administrações, ao afirmar que não tem receio de fazer a campanha nesta linha de comparativo. “Comparar é discutir que caminho eu vou seguir”, disse a ministra, para bater em seguida, acusando os governos anteriores a Lula de terem sucateado a educação no país.

O ruim deste caminho que se prenuncia é que a campanha tende a perder o debate político, empobrecendo as discussões, uma vez que poderemos ter somente tabelas e números (que sempre podem ser manipulados ou “engordados”) como base para decidir sobre que candidato escolher.

Para lei rigorosa, o jeitinho de sempre

Alguns leitores comentaram que só falei da campanha eleitoral disfarçada que o presidente Lula e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff estão protagonizando e que deixei de lado o fato de que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), está fazendo o mesmo. Esclareço que limitei meu comentário ao lado do governo, porque ele foi motivado pela notícia das seguidas derrotas que a oposição (PSDB, DEM e PPS) estão sofrendo no Tribunal Superior Eleitoral nas tentativas para barrar os passos de Lula e Dilma (Leia aqui o post).

Não há dúvidas de que José Serra, mesmo não agindo de forma tão intensiva quanto o presidente, também está burlando a legislação sempre que pode. Afinal, não faz parte das atribuições do governador de São Paulo fazer tantas viagens a outros Estados para ver obras (como aconteceu em Pernambuco, no final de 2009), participar de eventos político-partidários ou de festas populares.

O comportamento de Lula, de Dilma, Serra e até de Marina (que também tem pedido votos de forma disfarçada) é explicado pelo falso rigor da legislação eleitoral, que só permite campanha eleitoral a partir de 5 de julho, depois de realizadas e confirmadas todas as convenções para a escolha dos candidatos. Esta data limita a campanha eleitoral, portanto, a menos de 90 dias.

Num país com as dimensões continentais como o Brasil, este é um prazo curto para que os candidatos e suas ideias possam se tornar conhecidos em todos os recantos, especialmente quando se trata de um postulante que nunca disputou eleições majoritárias antes. E, aí, entra aquilo em que o Brasil é mestre: a hipocrisia, o jeitinho.

Faz-se de conta que se cumpre a legislação ao mesmo em que ela é desrespeitada todos os dias. E vive-se no reino da fantasia, com os legisladores achando que fizeram sua parte, os tribunais sendo engabelados enquanto garantem que estão sendo rigorosos e os candidatos juram diariamente que ainda sequer são candidatos.

Oposição mostra como vai fazer campanha

O DEM e o PSDB deram uma mostra, na última sexta-feira, de como pretendem conduzir esta pré-campanha eleitoral e a própria campanha, quando ela começar oficialmente. Com uma comitiva formada pelos pesos pesados das duas legendas, eles baixaram em Vitória da Conquista, um dos mais fortes e renitentes redutos do PT na Bahia, e além dos discursos de praxe, fizeram promessas e anunciaram que já está no orçamento uma emenda que garante R$ 40 milhões para a revitalização do aeroporto do município.

Lá estiveram ACM Neto, o senador ACM Jr (que começa a dar a impressão de que pretende mesmo disputar a reeleição, não apenas fazer pressão sobre César Borges), o pré-candidato do DEM ao governo, Paulo Souto, além dos deputados  federais José Carlos Aleluia, Luiz Carreira (DEM) e João Almeida (PSDB) e do presidente estadual do PSDB, Antonio Imbassahy e do ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo (DEM), que deve ser candidato a à Câmara federal.

Como não tem a máquina do governo, os oposicionistas vão centrar esforços em cobrar resultados do governador Jaques Wagner e, assim, atrapalhar os planos de reeleição do atual morador do Palácio de Ondina. Como disse ACM Neto, na visita: “Nós já conseguimos R$ 40 milhões em emendas, resta agora boa vontade por parte do governador Jaques Wagner iniciar as obrasâ€.

Essa deve ser a toada dos próximos meses por parte da oposição. Afirmar que estão fazendo sua parte e deixar o pepino da realização para o governo estadual.

O Senado continua o mesmo

O Senado parece ser mesmo um caso perdido. Depois de tantos escândalos em 2009, a Mesa Diretora decidiu fazer de conta que pretendia moralizar pelo menos as relações trabalhistas na Casa e implantou um sistema de cartão de ponto eletrônico. De cara, os próprios dirigentes trataram de isentar do registro os diretores, ocupantes de cargos de confianças e outros, tantos que praticamente ficou esvaziado o intuito moralizador.

Mas, como no Senado tudo é superlativo, já se descobriu um esquema de fraude para garantir o pagamento de horas extras, menos de uma semana depois da implantação da medida. Cinco servidores do Senado fraudaram os registros, marcando horas extras na folha de ponto do computador do Senado a partir dos computadores de suas casas, sem efetivamente estarem no Senado trabalhando.

Foi aberta uma comissão de sindicância para investigar o caso e os funcionários podem ser demitidos. É claro que as demissões só ocorrerão se os padrinhos dos servidores não tiverem força suficiente para transformar tudo num “mal-entendido”.

Desilusão à esquerda

Recebo correspondência de um amigo que não vejo há muito tempo e fiquei surpreso com o grau de desilusão dele em relação às opções partidárias. Fundador do PT na Bahia, ele era um fervoroso defensor das bandeiras da legenda, até que desiludiu-se com o comportamento da sigla ao assumir o poder e seguiu o caminho dos fundadores do PSOL.

Mas vejam o que ele disse a respeito da nova experiência : “Em tão poucos meses, vejo que corre o mesmo risco do primeiro, com as mesmas disputas internas acirradas, germe de uma “destruição” futura“. Não perguntei e, por isto, não sei que caminho ele pretende seguir agora.

Sem dúvida, um dilema de difícil solução.

PT quer forçar alianças com PMDB

Interessante a notícia que leio no jornal Estado de S.Paulo deste sábado, a respeito das preocupações da cúpula nacional do PT com as dificuldades encontradas para o fechamento de alianças em alguns Estados com o PMDB. Segundo a reportagem, a direção petista, empenhada em garantir palanques estaduais para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência, já  ameaça até mesmo intervir em diretórios que se recusarem a cumprir a orientação nacional de que a legenda deve fechar alianças com os peemedebistas PMDB.

Até onde se sabe, os problemas maiores são encontrados em Minas Gerais, Pará, Ceará, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Bahia. No 4º Congresso Nacional do PT, marcado para os dias 18, 19 e 20 de fevereiro, - que homologará a candidatura de Dilma e definirá a política de alianças - deverá ser apresentado um mdocumento oficial para enquadrar as seções estaduais do partido e onde se afirma que a “prioridade máxima” é o projeto nacional.

Segundo o jornal paulista, o documento, intitulado Os desafios de 2010: A vitória na eleição presidencial e o crescimento do PT, diz, textualmente: “Compete ao Diretório Nacional a missão de examinar em caráter terminativo as alianças estaduais, à luz das resoluções deste congresso, e do objetivo de prosseguir com as mudanças que o povo aprova e o Brasil tanto necessita“.

O presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, que é o autor do texto, disse estar confiante na solução dos impasses regionais, apesar da dificuldade para fechar parcerias entre seu partido e o PMDB em alguns Estados e garante que não haverá intervenção: “Não haverá um processo de chantagem, mas, sim, de debate político.”

Embora a Bahia esteja na lista dos Estado onde há problemas, ninguém acredita que os dirigentes nacionais do PT e do PMDB ainda insistam em recompor a base aliada por estas bandas. Na Boa Terra, o caso é perdido e o que pode acontecer é um distanciamento ainda maior (se isto é possível) neste período de campanha eleitoral do primeiro turno. 

(Leia aqui a reportagem completa)

Dilma de todos os ritmos no Carnaval

Está confirmado: a ministra Dilma Rousseff aceitou o convite do governador Jaques Wagner e vai dar uma passadinha no Carnaval de Salvador. Pelo que se divulgou, a candidata do peito do presidente Lula assistirá ao desfile dos blocos e dos trios elétricos baianos no domingo, depois de passar o sábado em Recife (PE). Para completar o roteiro da folia pré-eleitoral, que começa com o desfile das escolas de samba de São Paulo, na sexta-feira, ela também irá ao sambódromo do Rio de Janeiro, na segunda-feira.

Ainda bem que Dilma, mineira e radicada no Rio Grande do Sul e Brasília, só vai mesmo cumprir um roteiro para ser vista e cumprimentada, não para sambar, pular frevo ou requebrar no “Rebollation” da axé music.

Além de não ter fôlego para tanto, ela não é mesmo do ramo carnavalesco. Mas eleição é eleição, já diziam os antigos políticos.

Oposição não consegue barrar campanha de Lula

Quem é que não sabe, neste Brasil velho de guerra, que o presidente Lula está em plena campanha e que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, não pensa em outra coisa que não seja a eleição presidencial? Todos nós sabemos disto, até porque os dois principais atores disfarçam muito mal o real objetivo de tantas viagens nos últimos meses.

A oposição também sabe disso e sobre pelas paredes porque não está conseguindo impedir a evolução do roteiro traçado pelo Palácio do Planalto para esta pré-campanha. Em 2009, os partidos de oposição (leia-se PSDB, DEM e PPS), já entraram com seis representações contra o presidente e a ministra no Tribunal Superior Eleitoral, sempre com a acusação de propaganda eleitoral antecipada.

Mas dizer é uma coisa, provar é outras, para desespero dos oposicioniostas. Até dezembro, três representações já haviam sido arquivadas e outras três estavam em andamento. Duas representações foram propostas em 2010, e uma delas, referente a um evento ocorrido no último dia 19 de janeiro, em Minas Gerais, foi arquivada nesta sexta-feira pelo TSE.

Os autores da ação, DEM, PPS e PSDB, disseram, na ação, que a propaganda irregular ocorreu durante discursos feitos pelo presidente da República na inauguração da barragem Setúbal, em Jenipapo (MG), e do campus de Araçuaí (MG). Lula afirmou, na ocasião, que é importante que o governo inaugure o “máximo de obras possível†até o fim de março para “mostrar quem foram as pessoas que ajudaram a fazer as coisas nesse paísâ€.

 Enquanto a oposição ajuíza (ações), a caravana passa.

Delegacias lotadas e presídios ainda mais

Tomei um susto ao saber, na tarde desta sexta-feira, que a juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Salvador, Andremara dos Santos, teria determinado, atendendo a pedido do Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindpoc), a transferência imediata dos presos custodiados em delegaciais baianas para presídios, conforme estabelece a Lei de Execuções Penais. E o susto se explica pelo fato de que todos sabemos o quanto já estão superlotados os presídios baianos (e as delegacias também).

Felizmente tudo não passou de uma informação equivocada, divulgada de forma apressada. Na verdade, segundo esclareceu a Assessoria de Comunicação do governo estadual, o despacho da magistrada  pediu  providências no sentido de que o Ministério Público Estadual se manifeste sobre a solicitação do Sindpoc para que os presos provisórios sejam transferidos das Delegacias para estabelecimentos penais. E também que os secretários estaduais de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos e de Segurança Pública informem sobre as providências adotadas e o cronograma, se houver, para solucionar o problema.

A coinfusão foi fruto da pressão que os policiais civis vinham fazendo para que sejam liberados da custódia de presos que deveriam estar cumprindo pena em penitenciárias e presídios e não nas delegacias. O que é correto, mas o problema é que não há espaço nos presídios e enquanto as nossas autoridades não decidirem encarar a sério este problema, as delegacias continuarão abarrotadas e os policiais sobrecarregados.

A menos que decidam pela libertação dos detentos, o que seria um absurdo maior ainda.

A ponte: Wagner rebate com “chute na canela”

Governador faz a defesa do polêmico projeto

Governador faz a defesa do polêmico projeto

O governador Jaques Wagner (PT) decidiu comprar a briga com o escritor João Ubaldo Ribeiro em torno do projeto de construção da ponte Salvador-Itaparica e o fez chutando na canela, classificando os argumentos do imortal baiano como “besteirol” e “clichê”. Para não ficar só no pontapé, o governador também usou termos mais amenos para rebater o mais famoso filho de Itaparica, em entrevista à repórter Patrícia França que o jornal A TARDE publica na edição desta sexta-feira (Leia aqui a reportagem completa).

 Eu até que me alinho com os que defendem a construção da ponte (ou pelo menos ainda não vi argumentos fortes o bastante para me convencer do contrário), embora me alinhe também entre os que não acreditam que a obra vá mesmo ser feita. Mas, de qualquer forma, um assunto de tal importância não pode virar tema de bate-boca, especialmente quando quem fala é a maior autoridade do Estado. Ao chamar de “besteirol” os argumentos de João Ubaldo o governador abre espaço para tréplicas mais desaforadas (embora prefira acreditar que o escritor não vai fazer isto) e tira do foco o principal: a ponte é ou não importante e necessária?

É compreensível que Wagner fique irritado com as contestações, mas também é fundamental que a defesa do projeto seja feita com argumentos sólidos, fincados em dados sociais e econômicos. E que, para calar os argumentos de uma futura “favelização” da ilha de Itaparica, a proposta seja acompanhada de uma série de medidas de urbanização e proteção sócio-ambientais.

Pelas declarações que já li, a população da ilha defende a ponte e este contingente é, sem dúvida, o maior interessado no caso. Então é preciso aprofundar a discussão, consultar os habitantes de Itaparica e mostrar todos os lados da questão, com vantagens e desvantagens reveladas abertamente, para que se chegue a um consenso.

Porque, e aí concordo com o governador, é preciso evitar os “donos da verdade”. De um lado e do outro.

“Fichas sujas” querem deturpar o “Ficha Limpa”

Como já era de esperar, há uma grande movimentação na Câmara Federal para barrar o projeto de iniciativa popular que determina a proibição da candidatura de políticos com condenação em primeira instância na Justiça, os chamados “fichas sujas”. Como o ato de simplesmente derrubar o projeto, que ficou conhecido como Ficha Limpa e foi entregue à Câmara em setembro passado com mais de 1, 3 milhão de assinaturas, causaria um desgaste muito grande, a manobra visa modificar e amaciar o texto.

A votação do projeto está prevista para março e a ideia é mudar o texto para só vetar a candidatura dos que já foram condenados em segunda instância, ou seja por um colegiado de juízes e não apenas por decisão de um juiz. Mas também há quem defenda o adiamento da votação, o que configura uma nova manobra, pois se projeto for aprovado até junho, na Câmara e no Senado, valerá como regra para as eleições deste ano.

Acho que vou pagar para ver e até posso apostar que o texto, seja qual for, não será votado até o fim do primeiro semestre. E torço para estar errado.

Banho-maria para cozinhar Ciro

A estratégia do presidente Lula em relação à pré-candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) parece ser a de ganhar tempo para que o nome da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff  aproxime-se ainda mais do líder das pesquisas de opinião, o governador paulista José Serra (PSDB). A expectativa dos que estão mais próximos do Palácio do Planalto é que a postulação do parlamentar vá murchando com o passar dos dias e os seus índices já não tenham o peso que hoje possuem.

Isto explicaria porque Lula, Dilma e o próprio PT receberam com tanta tranquilidade as críticas feitas nos últimos dias por Ciro Gomes, entre as quais dizer que o “santo Lula” está errado na sua suposição de que o melhor é ir para a eleição presidencial com apenas dois candidatos fortes, num processo plebiscitário. Lula nem respondeu e Dilma até aproveitou para elogiar o deputado, dizendo que tem uma relação muito forte com ele e o admira, embora tenha deixado claro que gostaria de tê-lo ao seu lado no palanque, não como concorrente.

Do PT, somente o presidente nacional, Ricardo Berzoini (SP), manifestou-se considerando injustas as críticas de Ciro, especialmente as que ele fez aos aliados do governo (PMDB), mas preferiu também amaciar.

Ciro pode aproveitar agora, porque caso os cálculos de Lula estejam corretos, a partir de abril Dilma já deve ter se aproximado de Serra o suficiente para que ele seja colocado contra a parede. Aí é que vai ser possível ver se o paulista-cearense terá mesmo peito para dizer que ninguém retira sua candidatura à Presidência.

Peemedebistas baianos fechados com Temer

Na Bahia não temos dissidentes e toda nossa delegação está fechada em torno da reeleição de Michel Temer“. Esta foi a resposta do presidente regional do PMDB baiano, Lúcio Vieira Lima, quando perguntado sobre os problemas que giram em torno da convenção nacional do partido, neste sábado, em Brasília. A seção baiana do PMDB tem 12 delegados e pouco mais de 20 votos, que contribuirão para a confirmação do nome do deputado paulista como dirigente máximo do partido.

Em termos nacionais, porém, a situação é diferente e a ala dissidente está fazendo barulho contra a decisão da direção da legenda de antecipar a convenção, antes prevista para março. Representante deste grupo, o senador Jarbas Vasconcelos já anunciou que não irá à convenção e tenta fazer com que toda a delegação de Pernambuco o acompanhe na decisão.

 Também estudam a possibilidade vários delegados de estados importantes, como São Paulo (liderados pelo ex-governador Orestes Quércia, já fechado com José Serra), Paraná (o governador Roberto Requião chegou a ser lançado como pré-candidato à Presidência da República), Rio Grande do Sul, Goiás e Santa Catarina.

Majoritária, a corrente que comanda o PMDB optou pela antecipação da convenção como forma de mandar um recado ao PT e ao presidente Lula. Ao reeleger Michel Temer, o grupo quer mostrar força e dizer que ele é o nome da legenda para compor a chapa governista ao Palácio do Planalto, na companhia de Dilma Rousseff, quebrando de vez a resistência ensaiada pelo PT e pelo próprio Lula.

Os peemedebistas baianos estão fechados com a candidatura de Dilma e querem que o presidente Lula concorde com a ideia de a campanha da sucessão ter dois palanques na Bahia, o da reeleição do governador Jaques Wagner e o de Geddel Vieira Lima. A antecipação da convenção, portanto, só favorece este projeto e é mais um motivo para que, como garantiu Lúcio Vieira Lima, não haja dissidentes na delegação baiana.

Coaraciense na defesa dos direitos humanos

Fiquei sabendo, pelo site Pimenta na Muqueca (pode ser acessado pelo link no lado direito desta página),  que a advogada Sara Mercês dos Santos é a nova presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Bahia, um dos mais cobiçados e prestigiados postos da entidade. Gostei particularmente, porque, para quem não sabe, além de todo o valor profissional que tem, Sara é de Coaraci e uma amiga de velhos tempos.

Ela foi advogada da campanha do governador Jaques Wagner por duas vezes (2002 e 2006) e coordenou a assessoria jurídica da campanha de Walter Pinheiro à Prefeitura de Salvador (2008). Devido à sua competência e conhecimento de direito eleitoral, creio que também deverá integrar a campanha do governador na luta pela reeleição, este ano.

Além dos parabéns, quero desejar sucesso à frente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, trabalho da maior importância para a defesa dos mais carentes.

Convenção do PMDB é jogo de várias faces

PMDB quer garantias de que Michel Temer será o candidato a vice de Dilma

PMDB quer garantias de que Michel Temer será o candidato a vice de Dilma

A convenção nacional do PMDB, neste sábado, vai servir como palco importante para o andamento das negociações em torno da sucessão presidencial. Primeiro por causa da disputa que vai acontecer entre a corrente que defende a manutenção da aliança com o governo do presidente Lula, com o apoio a Dilma Rousseff, e a que é favorável ao alinhamento com a candidatura de José Serra (PSDB). O grupo a favor não terá problemas para impor sua posição.

Depois, porque a corrente a favor da manutenção da aliança não é monolítica e se divide entre os que pressionam para que o acordo em torno da candidatura de Dilma seja negociado com um apetite de leão, definindo-se logo as bases da repartição futura dos cargos e recebendo-se a garantia da vaga para a candidatura a vice-presidente, e aqueles que já estão tão comprometidos com o governo que vão apoiar Dilma de qualquer jeito. Aí já se prevê um pouco mais de dificuldades por causa das sutilezas entre as diferenças de posição. 

 O grupo que controla a direção do PMDB, amplamente majoritário, está interessado em pressionar o PT (que faz corpo mole em relação à questão da indicação do vice) e o presidente Lula para que sejam resolvidas logo as alianças locais e também em dar um recado direto: o partido está unido em torno de Michel Temer (PMDB-SP) para ser vice na chapa da ministra Dilma Rousseff, condição básica para que a legenda confirme a aliança nacional. Este é um segmento formado por políticos profissionais, as chamadas “cobras criadas”, que sabem como ninguém fazer este jogo de apoiar mas nem tanto e de brigar sem romper.

Mais do que uma simples escolha de dirigentes, portanto, a convenção peemedebista é um momento crucial para o encaminhamento das conversas em torno da sucessão presidencial. E de olho no que vai sair e nos discursos das principais lideranças estarão não somente os atuais aliados governistas, mas também os tucanos e os democratas, que seriam os beneficiários diretos de qualquer racha na aliança PT-PMDB.

O milionário como vice de Geddel

Depois da frase conclusiva do empresário João Cavalcante, o JC, de que ou será candidato a vice-governador ou não se candidatará a nada em 2010, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), está voltado para compor o restante da sua chapa com as negociações para os dois candidatos ao Senado.  Isto porque, segundo entrevista do milionário empresário, o ministro o teria convidado para escolher o posto que quisesse na chapa majoritária.

E Cavalcante prefere ser do Poder Executivo porque deseja ser secretário de Minas e Energia caso Geddel seja o próximo governador. A mineração é o segmento que o tornou milionário e ele acredita que sua experiência poderá ajudar a desenvolver o potencial da Bahia naquela área. O curioso é que, embora seja um dos homens mais ricos do Brasil, o empresário garantiu, na entrevista (c0ncedida ao site Bahia Notícias), que não jogará seu dinheirinho na campanha eleitoral e que isto já estaria até acertado com o pré-candidato a governador.

Desta forma, como uma das vagas para o Senado está reservada para o senador César Borges (PR), à espera de que ele decida o seu destino político nas eleições deste ano, fica a outra  completamente em aberto, na dependência das negociações para a formatação da chapa que disputará a eleição.

Ciro Gomes resiste ao sonho de Lula

Ciro Gomes está batendo de frente, por enquanto, com Lula

Ciro Gomes está batendo de frente, por enquanto, com Lula

Apesar de todos os rumores e afirmações de que sua candidatura vai depender da boa vontade e do desejo do presidente Lula, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) não quer arredar pé do seu sonho de concorrer à Presidência da República. Quando lhe colocam ante a possibilidade de Lula impor que ele seja candidato ao governo de São Paulo e deixe o campo livre para a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, Ciro rebate, de pronto, que Lula até já teria afirmado não ter condições de pedir uma coisa dessas.

E tem aproveitado para discordar abertamente do presidente, lembrando que gosta muito e repeita Lula, mas não o trata como mito ou como santo. Assim, discorda daqueles que dizem amém a tudo o que faz o presidente. Na última terça-feira, em Brasília, Ciro foi, mais uma vez veemente (como é seu estilo):  “Lula está errado ao querer que eu seja candidato a governador de São Pauloâ€.

O deputado acha que pesquisa CNT/Sensus da última segunda-feira apenas reforça sua tese de que excluí-lo da disputa presidencial só facilitará a vida do tucano José Serra e abre a possibilidade de Dilma Rousseff, a candidata do peito de Lula, ser derrotada já no primeiro turno.

Apesar de toda esta certeza de Ciro Gomes, não se pode minimizar o poder de sedução (reforçada pela sedução do poder) que Lula já demonstrou em várias ocasiões. E o sonho do presidente é mesmo um disputa plebiscitária entre Dilma e Serra, o que seria atrapalhado pela presença do candidato socialista.

Tensão e ameaças em Itaberaba

As autoridades da área de segurança da Bahia precisam ficar atentas ao que está acontecendo no município de Itaberaba. Ali, volta e meia, surgem denúncias de violência ou de ameaças explícitas de autoridades contra cidadãos o que pode ser prenúncio de um problema maior. O domínio político da família Mascarenhas (os irmãos Jadiel e João revezaram-se na Prefeitura) tem elevado o clima de tensão, uma vez que os gestores municipais não admitem críticas à sua atuação.

Em setembro passado houve uma tentativa de agressão ao jornalista Salvador Roger, dono do jornal O Paraguaçu (leia post aqui), fato que se repetiu no último dia 21. Com o agravante de que as ameaças de espancamento, que teriam sido feitas pelo ex-prefeito Jadiel Mascarenhas, aconteceram numa solenidade na cidade de Rui Barbosa, à qual estava presente o governador Jaques Wagner.

Segundo as informações, os irmãos, que estavam no palanque das autoridades, irritaram-se com a presença de membros da caravana “SOS Hospital Regional”, que pediam a reabertura do Hospital Regional de Itaberaba, fechado em setembro passado pelo prefeito João Mascarenhas sob a alegação de não ter recursos para pagar as dívidas da instituição.

Alguns dos nossos homens públicos precisam entender que o tempo de calar críticos à base da porrada ou da bala já passou (pelo menos quero acreditar nisto) e que é preciso aprender a conviver com os opositores porque este é o cerne do regime democrático. A pomba da paz precisa pousar urgentemente em Itaberaba.