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Serra corre de “datas ruins” para lançar candidatura

Leio no noticiário dos sites políticos que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), já bateu o martelo quanto ao lançamento da sua candidatura à Presidência da República: será somente depois da Páscoa (4 de abril). Ele deverá deixar o cargo no final de março (cumprindo o prazo legal para se desincompatibilizar), mas adia a festa de lançamento para evitar datas “ruins”.

E tem toda uma lógica quanto a isso: no dia 29, está previsto o lançamento do PAC 2, quando o presidente Lula e Dilma Rousseff irão reinar absolutos no noticiário. No dia 31, nem é bom pensar por causa do aniversário do golpe militar de 1964. No dia 1º, bom, é o Dia da Mentira e o melhor é não ligar a candidatura a uma data assim. Dia 2 é Sexta-feira da Paixão e não dá para concorrer com um feriadão.

Portanto, foi uma opção técnica só fazer o lançamento depois da Páscoa.

César Borges é o “cara”. Até agora

A quem César vai dar o coração?

A quem César vai dar o coração?

Chega a ser engraçado que o senador César Borges (PR) seja, hoje, o nome decisivo para a formação das chapas majoritárias dos três principais pré-candidatos ao governo da Bahia nas eleições de outubro. E que os três grupos estejam com dilemas na composição das chapas, à espera do movimento final do senador. Digo isto porque, há pouco mais de dois anos, ouvi de muita gente boa nesta Bahia que o senador estava condenado a ser candidato a deputado federal porque não teria votos nem espaço para disputar a reeleição.

Vejam as voltas que o mundo dá. Num trabalho intenso e competente, que deve ser creditado a ele e à sua assessoria, César Borges deu o pulo do gato. Desvinculou-se, formalmente pelo menos, da base carlista, fez um acordo por cima e ingressou com toda força no PR, ganhando cacife para se tornar a cereja que todos querem no alto do seu bolo.

Não se deve esquecer que tudo isto funcionou porque ele desenvolveu um expressivo trabalho no Senado, ganhando visibilidade, e também porque foi muito hábil politicamente ao manter-se equidistante das três forças que disputam o comando do estado nestas eleições.

Num cenário que parecia impossível em 2009, César Borges é, hoje, o nome que paralisa a formação das três principais chapas majoritárias da Bahia: com Jaques Wagner (PT), a conversa tem o empurrão do presidente Lula e da direção nacional do PR (depende só de como fica a questão da chapa proporcional e da participação do PR na administração); com Paulo Souto (DEM), ele tem facilidade de integrar-se, pelo passado comum (embora pessoalmente não seja dos melhores relacionados com o ex-governador); e, com Geddel Vieira Lima (PMDB), tem bom  diálogo e o apoio dos seus deputados estaduais e federais, sem a resistência que enfrenta do PT).

Graças à sua boa posição nas pesquisas e a tudo o que eu disse nos parágrafos cima, César Borges continua bailando na cena política baiana, à espera do que considere melhor para o seu futuro.

E vai decidir com base nestas considerações, porque, fazendo aqui uma adaptação de antigo dito popular: Amigos amigos, política à parte.

Imbassahy aposta que Serra está certo

Presidente regional do PSDB baiano, Antonio Imbassahy dá todo apoio à decisão do governador de São Paulo, José Serra, de só deixar o cargo nos últimos momentos fixados pela legislação, ou seja, lá pelo dia 2 de abril.

Apesar de toda a pressão que alguns setores do PSDB e do DEM têm feito para que Serra assuma logo a candidatura à sucessão do presidente Lula, Imbassahy considera que o governador paulista está certo em manter-se no cargo até onde for possível, lembrando que São Paulo representa cerca de 20% do eleitorado nacional e a pretensão do tucano é obter, ali, 6 ou 7 milhões de votos a mais que Dilma Rousseff.

E Imbassahy também se alinha entre os que consideram não haver prejuízo eleitoral na decisão de Serra de adiar ao máximo o anúncio oficial da sua candidatura, achando normal que Dilma Rousseff tenha crescido nas últimas pesquisas de opinião, o que atribui mais à visibilidade que a candidata do PT teve nos últimos meses do que a uma queda das intenções de voto do governador paulista.

Depois de desmentir que esteja marcado algum evento, no próximo dia 22, para o lançamento da pré-candidatura de Serra, como chegou a ser anunciado, o presidente do PSDB baiano está apostando que a candidatura tucana vai voltar a crescer tão logo o governador paulista deixe o cargoe saia em campanha. E lembrou o exemplo dos Estados Unidos, onde há um crescimento imediato, em torno de 5%, do candidato quando ele assume oficialmente a candidatura.

Esse é o tipo de posição que só vai ser possível comentar depois que for possível avaliar os efeitos. Hoje, há uma dúvida muito grande sobre se Serra está agindo certo ou errado ao se aferrar tanto à formalidade dos prazos legais. Quem viver, verá.

Explicações sobre o metrô de Salvador

Em contato com este blogueiro, Ivan Barbosa, ex-gestor da Companha de Transportes de Salvador, órgão que conduziu as obras do metrô de Salvador durante sua fase inicial, ainda na administração Antonio Imbassahy, deu algumas explicações, e fez correções, sobre informações veiculadas no post “Caveira$$$ de burros no metrô”. A explicação principal foi porque o prefeito Imbassahy não seguiu com o projeto do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que havia sido iniciado pelo ex-prefeito Mário Kertész, optando por uma proposta inteiramente nova, de implantar um metrô.

Segundo Ivan Barbosa, a decisão se baseou em pesquisas que mostravam a pequena capacidade do VLT em relação à necessidade de Salvador: a demanda, da área de Pirajá para o centro da capital, era de 30 mil passageiros/hora, enquanto o VLT só poderia transportar entre 15 e 16 mil passageiros/hora. E uma correção foi sobre o custo: o projeto do VLT previa um custo de US$ 15 milhões por quilômetro e a proposta inicial do metrô era de US$ 30 milhões, ou seja, o dobro, não mais de 30 vezes como está no post.

Uma ressalva: com a mudança do projeto inicial do metrô, feita já na administração João Henrique, incluindo-se aquele trecho elevado no Bonocô, o preço de construção estaria, hoje, em torno de U$ 60 milhões por quilômetro.

Como técnico, Ivan Barbosa disse não ter dúvidas quanto à correção da opção pelo metrô. Em relação ao foco principal do post: os problemas durante esse tempo de construção, as paralisações, as idas e vindas por conta de questões políticas e das crises econômicas, além das repetidas vezes em que o Tribunal de Contas da União apontou irregularidades e paralisou as obras, isto ele transfere para quem de direito responder.

O certo é que Salvador não tem um projeto de metrô. Tem um problema, e dos grandes, chamado projeto de metrô.

Juca terá retorno difícil ao PV

Vermelho do PT conquistou o verde Juca Ferreira

Vermelho do PT conquistou o verde Juca Ferreira

A decisão do ministro da Cultura, Juca Ferreira, de se afastar do PV, pedindo a suspensão de sua filiação por um ano, já era esperada e não causou surpresa porque ele já havia deixado claro ser radicalmente contra o fato de o seu partido ter decidido lançar candidato próprio à Presidência da República, no caso a senadora Marina Silva (ex-PT). Sua situação dentro da legenda, da qual é um dos fundadores, agravou-se com a posição do Diretório Regional do PV, que lançou o nome do deputado federal Luiz Bassuma (também ex-PT) como pré-candidato ao governo do Estado.

Ocupante de cargo na administração federal, alinhado com o presidente Lula e com o governador Jaques Wagner, Juca Ferreira viu-se entre a cruz e a caldeirinha: para aceitar a decisão do PV teria que deixar o Ministério da Cultura. Então, após tentar reverter as decisões, especialmente na Bahia, quando trabalhou para construir até candidaturas alternativas à de Bassuma, fez o que já havia anunciado e permaneceu no conforto do cargo, pedindo licença justamente pelo tempo que considera necessário para que as coisas se acalmem e ele possa voltar a integrar o PV.

Há um porém, nessa história: nas declarações que deu, na quarta-feira, para justificar seu pedido de demissão, o ministro ataca tão fortemente as posições assumidas pela direção do PV que não vejo muito como ele terá clima para, depois de um ano, voltar a militar na legenda. Se continuar com tanto ardor na defesa do governo, o mais provável é que ele procure novo endereço partidário ao fim do prazo da licença.

Caveira$$$ de burro no metrô

Quando algum ponto comercial não dá certo com nenhum negócio ou quando determinado empreendimento tem sua existência marcada por muitos problemas costuma-se dizer que ali tem caveira de burro enterrada. Então, convenhamos, seguindo a linha da sabedoria popular, no que diz respeito ao transporte de massa de Salvador há uma dezena de caveiras de burros enterradas.

Desde a década de 70 (do século passado (é bom lembrar que estamos no século 21) que todo planejador urbano de Salvador tem consciência de que a capital baiana, por suas características geográficas, precisa de um eficiente sistema de transporte de massa porque, por mais que se abram ruas e avenidas, logo logo se esgotaria a capacidade de escoamento do crescente tráfego de veículos.

Daí a tentar resolver, porém, há uma distância muito grande. Pelo contrário, o único sistema de transporte de massa da capital, os trens do subúrbio ferroviário, quase foi desativado. Dos prefeitos de Salvador, quem primeiro tomou a iniciativa de projetar um sistema nesta linha foi Mário Kertész (PMDB), que, no seu segundo mandato (de 1985 a 1988), deu início à implantação do VLT (Veículos Leves sobre Trilhos), que ficou mais conhecido como “Bonde moderno”.

Depois de implantados um trecho de trilhos (no Vale do Bonocô) e uma série de passarelas, o projeto morreu, em meio a uma série de acusações, nunca provadas, de desvios de verbas e também em razão da incompetência e do desinteresse do sucessor de Kertész, Fernando José (PMDB), um dos piores prefeitos que Salvador já teve.

Depois, em 1992, veio Lídice da Matta (então no PSDB), que nunca se interessou, ou não teve apoio e recursos para dar andamento ao projeto. Eleito em 1996, Antonio Imbassahy (então no PLF) entendeu que Salvador precisava de um sistema eficiente de transporte de massa. Porém, em vez de aproveitar o projeto iniciado lá atrás por Mário Kertész, optou por uma solução muito mais cara (dizem, não sei se é verdade, que um quilômetro do metrô custa 30 vezes mais que um quilômetro do VLT) e sofisticada, o metrô.

Depois de muitas consultas e propostas, a Prefeitura deu início, em 1999, no projeto do Metrosal (Metrô de Salvador), cuja primeira etapa seria de 13 quilômetros, incluindo um trecho elevado sobre o Vale do Bonocô e um túnel entre a Fonte Nova e a Estação da Lapa. Desde o seu início, porém, a obra esteve envolvida em polêmicas e querelas políticas, muito aumentadas depois que Lula foi eleito presidente, em 2002.

Quando João Henrique (PMDB) foi eleito, em 2005, várias denúncias de irregularidades já pairavam sobre a obra. Nos últimos cinco anos da sua administração, os problemas só aumentaram e o metrô, que iria custar pouco mais de R$ 500 milhões, já tem um custo estimado em mais de R$ 1 bilhão, embora sua primeira etapa tenha sido reduzido para apenas 6 quilômetros. Os serviços já foram paralisados várias vezes, pelo Tribunal de Contas da União, sob a acusação de superfaturamento e outras irregularidades.

Agora, 10 anos depois de a obra ser iniciada, a Assembleia Legislativa da Bahia abriu uma CPI para investigar os problemas do metrô, numa iniciativa que me parece muito mais destinada a abrir espaços na mídia em temporada de campanha eleitoral do que em sanar problemas. E a primeira etapa do metrô de Salvador, com os seus seis quilômetros de problemas, tem sua inauguração prevista para o final deste ano.

Em razão dos antecedentes, não conheço ninguém que aposte um centavo no cumprimento deste novo prazo (um dos muitos que já foram descumpridos).

É ou não é problema para mais de uma dezena de caveiras de burros?

José Serra condenado a ser candidato

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), sabe que vai entrar na mais difícil disputa eleitoral de sua vida, muito pior do que aquela que perdeu para Lula em 2002. Com o desempenho da pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, nas últimas pesquisas de opinião, ele tem a compreensão de que é muito provável que chegue à convenção que oficializará sua candidatura, em junho próximo, vendo a atual ministra chefe da Casa Civil à sua frente na corrida eleitoral.

Depois de manter-se muito à frente de todos os pré-candidatos, não é nada agradável saber que a tendência é ser ultrapassado dentro de pouco tempo e ter que iniciar a campanha oficial tendo que correr atrás para recuperar o terreno perdido. Apesar de ter consciência de todos os problemas que vai enfrentar, José Serra me parece condenado a confirmar sua candidatura e a partir para a luta na tentativa de superar a adversidade que não tinha enfrentado até então.

Sua desistência, agora (como, aliás, fez em 2006 justamente no mês de março), terá um efeito demolidor sobre sua imagem como político, uma vez que será acusado de ter contribuído para a derrota das oposições ao adiar tanto tempo uma definição e ter impedido que outros nomes pudessem se apresentar a tempo de se firmar como candidatos (o exemplo mais forte é o do governador mineiro Aécio Neves). 

Mas nada parece indicar que Serra pretenda desistir, embora esteja matando de ansiedade os seus companheiros do PSDB e do DEM. Apesar de toda a pressão, ele já avisou ao presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE) que não deixará mesmo o cargo antes do dia 30 deste mês. Mas, para acalmar todo mundo, já autorizou a cúpula tucana a iniciar a organização de sua campanha e os dirigentes já marcaram  a data do próximo dia 22 para realizar uma espécie de pré-convenção, quando Serra será anunciado como o nome da coligação PSDB-DEM-PPS na disputa presidencial.

Confirmando esta disposição de ir para a disputa, o governador paulista encheu sua agenda de atos de inaugurações e entrega de obras, como faz qualquer um ocupante de cargo público que está próximo de sair. E é tanta pressa para mostrar serviço que José Serra até inovou, segundo o noticiário da imprensa paulista, ao “inaugurar” uma obra que sequer começou a ser construída.

Isto aconteceu em Santos, no litoral paulista, onde ele esteve na terça-feira, para anunciar o projeto de construção de uma ponte que ainda está no papel. Serra não foi lá assinar o contrato nem autorizar licitação nem dar início aos serviços, porque a ponte, que ligará Santos ao Guarujá ainda não foi licitada e levará dois anos e meio para ser concluída após a assinatura do contrato.

Ele fez justamente o que Dilma tem feito: campanha eleitoral.

Novo “escorregão” de Lula

Algum conselheiro do presidente Lula precisa dizer a ele, urgentemente, que pense um pouco mais antes de fazer comentários ou responder perguntas que incluam questões ligadas a Cuba, Irã ou Venezuela, dirigidos por complicados amigos seus no que diz respeito às liberdades individuais e aos direitos humanos. Lula já se acostumou, montado nos seus altíssimos índices de popularidade, dizer o que lhe vem à cabeça sobre assuntos brasileiros.

No caso de política internacional, porém, é preciso muito mais cuidado sobre o que fala. A sua recente passagem por Cuba, quando deu o “azar” de chegar justamente no dia em que morreu Orlando Zapata, um preso político que estava em greve de fome há 85 dias, lhe rendeu pontos negativos na imagem que construiu internacionalmente. Muito contribuiu para as críticas sua declaração de que é contra alguém “se deixar morrer”, para condenar as greves de fome.

Nesta terça-feira, ao dar entrevista à agência de notícias Associated Press, Cuba voltou a entrar (mal) no caminho de Lula. Justamente quando um grupo dissidente cubano lhe pediu, por meio da imprensa, que interceda pela libertação de 20 presos políticos na ilha comandada pelos irmãos Castro, o presidente brasileiro disparou outra “pérola”, que já está provocando novas críticas.

Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano, de prender as pessoas em função da lei de Cuba, assim como quero que respeitem o Brasil“, disse Lula, sobre a questão dos presos políticos cubanos. E acrescentou, reforçando a desastrada comparação entre presos por questões de opinião e os detentos brasileiros, que cumprem pena por crimes comuns: “Gostaria que não houvesse (a detenção de presos políticos), mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como tampouco quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil“.

Voltando à necessidade da opinião de um conselheiro, o melhor, para ele, seria que o presidente brasileiro fizesse cara de paisagem na próxima vez que o assunto Cuba vier à tona. Porque, quanto mais ele tenta explicar mais se complica.

Wagner define novo procurador de Justiça

Sem dar bolas para uma recente tradição, pela qual o candidato mais votado era escolhido para o cargo, o governador Jaques Wagner bateu o martelo nesta terça-feira e definiu que o próximo procurador de Justiça da Bahia será Wellington César Lima e Silva.

Terceiro mais votado pelos integrantes do Ministério Público do Estado, com 140 votos - atrás de Norma Angélica Reis Cardoso Cavalcanti, que recebeu 278 votos, e de Olímpio Coelho Campinho Júnior, com 229 votos - ele foi empossado promotor de Justiça em 1991 e atuou nas comarcas de Itagimirim, Tucano e Feira de Santana, sendo promovido para Salvador em 1995. Ocupou, ainda, o cargo de assessor especial e é professor universitário.

É bom deixar claro que o fato de ser mais votado da lista tríplice que é levada ao governador não dá nenhuma vantagem direta ao candidato. Em termos técnicos, os três nomes chegam à Governadoria em absoluta igualdade de condições, cabendo ao governador fazer a escolha. No caso do novo procurador geral de Justiça, ele contava com a simpatia de grupos fortes de dentro do PT, o que deve ter influenciado na decisão de Jaques Wagner, mas sua fama é de ser competente e qualificado para a função.

Presidente do PT dá uma de pessedista

Digna do estilo dos velhos pessedistas mineiros a reação do presidente estadual do PT, Jonas Paulo, ao movimento que tenta colocar o ex-governador Waldir Pires numa das vagas que estarão em disputa para o Senado na chapa majoritária do governador Jaques Wagner. Segundo o noticiário do jornal A TARDE desta terça-feira, primeiro ele defendeu a estratégia eleitoral do governador de atrair o senador César Borges (PR) e o conselheiro do TCM, Otto Alencar, para sua chapa, lembrando que a prioridade é a eleição nacional e que Wagner tem mesmo que agregar o maior número possível de partidos da base aliada do governo Lula em torno da sua candidatura.

Mas, depois de dizer aquilo, numa contorção digna de malabarista chinês, Jonas Paulo revelou-se favorável a que a esquerda tenha uma vaga para o Senado e que a outra seja de alguém do centro. Dando nome aos postos, pode-se pensar, então, que ele estaria defendendo que as quatro vagas sejam assim preenchidas: Jaques Wagner (governador, de esquerda), Otto Alencar (vice, de “centro”, ninguém é mais de direita neste País), César Borges (senado, de “centro”) e Waldir Pires (Senado, de esquerda) ou Lídice da Matta, ou Walter Pinheiro, ou alguém mais do PT.

Ou seria Jaques Wagner, César Borges (para vice), Otto Alencar e alguém de esquerda para o Senado? Creio que estas são as duas únicas opções no espectro esboçado por Jonas.

Mesmo sem esclarecer nada, o presidente regional do PT garante: “Este (??) é o melhor desenho para mobilizar a militância e a sociedade e vencer as eleições no 1º turno e garantir uma ampla margem para Dilma na Bahiaâ€, opinou. E, saindo ainda mais de baixo de qualquer definição, lembrou: “Elaborar as táticas específicas, depois escalar os titulares e as posições, sabendo que o capitão do time, é o Governador Wagner, candidato a reeleição, e, portanto, a escalação no time, só no momento próprioâ€.

Portanto, se depender do comando regional do PT, o que Wagner decidir está decidido.

CPI do metrô. Quem aposta nela?

Eu acho mesmo que a novela do metrô de Salvador merece uma investigação séria e profunda, que seja capaz de explicar tantos obstáculos que surgiram no caminho da obra, desde que ela foi iniciada ainda na administração do prefeito Antonio Imbassahy (presidente regional do PSDB, mas que era do PFL, à época). A princípio, portanto, teria que aplaudir a iniciativa da Assembleia Legislativa da Bahia de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar o que está acontecendo com tão importante obra (apesar do tamanho a que o metrô foi reduzido).

A questão central, nesta história, porém, é que existem poucas coisas mais desacreditadas neste Brasil do que CPI. Mesmo quando a sua convocação é feita no meio de um mar de boas intenções, a tendência é que os nobres parlamentares se comportem de forma aboslutamente partidária e política, esquecendo-se de que ali estão para investigar e propor a correção do que esteja de errado.

Quando as investigações começam a atingir os “calos” de grupos com influência política, os que são ligados a ele começam a manobrar para mudar o rumo da conversa. São comuns os jogos de empurra e, pior ainda, os acordos para que o assunto seja esvaziado, depois que todos já apareceram o bastante nos meios de comunicação fazendo acusações que às vezes se esgotam ali mesmo quando os holofotes das emissoras de TV são apagados.

Na Assembleia Legislativa da Bahia, então, temos o exemplo recente da CPI do Combustível (instalada em junho de 2005), que terminou sem ninguém saber realmente o que aconteceu e sem que houvesse culpados de algum crime a apontar.

 Para não ser acusado de derrotismo antecipado, vamos esperar que eu esteja errado e que os nossos caros deputados esqueçam que este é um ano eleitoral e conduzam as investigações com rigor e isenção. Reconheçamos que esta é uma tarefa muito difícil.

Notícias negativas no prato da campanha

Por coincidência, ou não, justamente no dia em que a imprensa noticia que Pernambuco superou a Bahia no quesito captação de recursos junto ao BNDES - em 2009, a Bahia captou R$ 3, 3 bilhões, contra mais de R$ 13 bilhões dos nossos vizinhos - o governador Jaques Wagner abriu os comentários do seu programa semanal de rádio destacando a importância da parceria do governo baiano com o Governo Federal. Além de lembrar as obras de irrigação inauguradas na sexta-feira passada em Juazeiro, ele informou que entre os dias 20 e 25 próximos o presidente Lula estará novamente na Bahia, desta vez para entregar o Gasene -Gasoduto do Nordeste - que vai trazer gás natural do Sul do país para o nosso estado.

Mesmo sem citar nomes ou fazer referências diretas, pareceu uma resposta às críticas feitas pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, que tem afirmado não ser suficiente que o governador tenha boas relações e seja amigo do presidente da República para que o Estado se beneficie com obras. O ministro afirmou, na semana passada, por exemplo, que a Bahia tem deixado de receber recursos por falta de projetos.

Também por coincidência, ou não, justamente a não apresentação de grandes projetos foi o motivo dado pelo BNDES para que os baianos recebessem menos recursos que os pernambucanos.

Neste período de campanha eleitoral, disfarçada ou não, toda notícia negativa envolvendo o adversário será capitalizada. Portanto, as afirmações do governador no seu programa de rádio têm, sem dúvida, o objetivo de fornecer argumentos aos seus aliados e criar “vacinas” para o discurso eleitoral.

Lula continua a apostar em plebiscito eleitoral

Seguindo sua estratégia de ignorar a candidatura de Marina Silva (PV) e não contar com a de Ciro Gomes (PSB), o presidente Lula insiste em puxar o conteúdo da campanha eleitoral para o terreno onde considera que levará mais vantagem: um clima plebiscitário que deixe ao eleitora apenas duas opções, sua administração e a de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O fato de nenhum dos dois ser candidato para ele é ainda melhor, porque entende que, assim, a figura de Dilma Rousseff será preservada, deixando a candidata somente com o bônus de ser beneficiária da transferência da popularidade do atual governo.

Neste final de semana, o presidente voltou a repetir que deseja fazer um confronto entre o programa dos dois candidatos, mas, principalmente, das realizações de PT e PSDB durante os oito anos em que cada partido governou o país. Vejam a declaração completa, que traduz bem o sentimento e os objetivos de Lula:

 ”Precisamos comparar, qualquer coisa, em qualquer área. Nas áreas em que ele estiverem melhor, isso vai aparecer, os números não mentem. Estou tranquilo porque acho que meu governo mudou o paradigma do Brasil: quem vier governar depois de mim não pode mais pensar pequeno, não pode ser tacanho, não pode tratar o Nordeste como uma região de segunda classe.”

Indicação de Waldir Pires complica escolhas de Wagner

Waldir não pleiteia, mas não se recusa

Waldir não pleiteia, mas não se recusa

A campanha que se faz para colocar o ex-governador Waldir Pires (PT) numa das vagas para o Senado na chapa majoritária governista cria um grande complicad0r no tabuleiro que está sendo armado pelo governador Jaques Wagner. Justa a postulação, tanto pelas qualidades morais e peso político do ex-governador (de quem sou um admirador confesso, como já disse aqui neste espaço) como pelo que representa de reparação de uma injustiça cometida em 1994, quando ele perdeu, numa apuração carregada de suspeitas de fraude, a eleição para o Senado.

Encabeçada por um grupo de deputados federais do PT, especialmente Emiliano José, Zezéu Riberio e Geraldo Simões, a campanha não esmoreceu ante o surgimento do nome de César Borges para compor a chapa ao lado de Otto Alencar (o único nome garantido, segundo Jaques Wagner) e tem crescido com atos, como o que aconteceu neste domingo em Vitória da Conquista. Lá, um evento em homenagem a Waldir Pires, transformou-se em mais um lançamento da sua candidatura ao Senado, com o apoio de vários diretórios municipais petistas.

Como é do seu feitio, Waldir não tem forçado nada e sequer conversou com o governador a respeito, dizendo que o processo de escolha é de Wagner e que a definição cabe a ele. Mas, não se recusa a participar da luta o que adiará sua aposentadoria das lides políticas. Sem dúvida, como disse lá atrás, é um forte complicador, que exigirá muita habilidade do governador, que tem duas vagas para preencher com três nomes na mesa (César Borges, Lídice da Matta e, agora, Waldir Pires).

Talvez a sorte ajude a decisão: caso Otto Alencar opte por desistir da candidatura, possibilidade que também está posta, a equação fica mais fácil de ser resolvida, porque Lídice poderia ir para a vaga de vice, ficando as duas do Senado Com César Borges e Waldir Pires.

Se Lula já está em campanha, para quê se licenciar?

Depois de negar enfaticamente que pretenda pedir licença do cargo para participar da campanha da pré-candidata do governo, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, dizendo que isto seria “uma coisa descabida“, o presidente Lula aproveitou para praticar um dos seus “esportes” preferidos dos últimos tempos, de desancar a imprensa brasileira, afirmando que o seu governo tem tanta liberdade de imprensa que os jornais podem até publicar mentiras.

Não tenho informações precisas sobre o que levou o jornal O Globo a dar aquela informação sobre a licença presidencial, mas sem querer defender o erro (ou a “barrigada”, como se diz no jargão jornalístico), não ficaria surpreso de saber que tudo não passou de mais um “balão de ensaio”, iniciativa comum entre políticos brasileiros quando querem sondar como será a reação a alguma medida. Como disse, não sei se foi isto ou se apenas o jornal confiou numa fonte que lhe passou a informação equivocada.

No entanto, tem sido prática comum dos governantes, e aí não me refiro apenas a Lula, atacar a imprensa brasileira, preferindo jogar a culpa de seus males e tropeços na ação dos jornalistas. Esta é a saída mais fácil e ganha de imediato o “apoio” de aliados, inclusive em determinados segmentos jornalísticos que estejam mais engajados. 

Realmente, não tem nenhum sentido o presidente necessitar se afastar do cargo para fazer a campanha da sua candidata. A legislação brasileira, por mais restrições que imponha, permite que o ocupante do cargo executivo teça tantas loas quanto quiser ao nome do seu preferido, desde que ele seja ungido como candidato oficial.

Ora, se os candidatos ainda não foram oficializados e todos estão fazendo campanha - uns mais disfarçados, outros de forma mais direta - porque Lula precisaria deixar o cargo, no mês de agosto (como foi divulgado) justamente quando já poderá participar de comícios e defender abertamente o nome de Dilma?

Lula não crê, apenas jogou para a plateia

Ao dizer, em Juazeiro, que ainda acredita na possibilidade de reunificação da base aliada da Bahia, com o realinhamento do governador Jaques Wagner com o ministro Geddel Vieira Lima, o presidente Lula apenas cumpriu a sua obrigação e expressou um desejo que sabe quase impossível. Embora em política não haja espaço para a palavra impossível (daí o quase no período anterior) há muito foi rompido o limite que permitia o relacionamento entre aquelas duas lideranças políticas.

Tanto é que, sempre quando indagado a respeito desta possibilidade, o governador repete que é uma perda de tempo se pensar nisto e que cada um já está cuidando da vida em separado. E, logo depois da frase do presidente, o ministro Geddel apressou-se a descartar a possibilidade, segundo li no site Bahia Notícias, do jornalista Samuel Celestino. A frase de Geddel teria sido a seguinte: ”Sou candidato a governador e a postura de Lula foi a que se esperava. Ele disse que gostaria que houvesse a unidade de 2006 mas, como isso parece impossível, está de acordo com a disputa“.

E completou, de forma irônica, como é do seu estilo: ”Agora, se Wagner quiser ser senador, venha para o lado de cá, porque vou eu ganhar a eleição“.

Em terras baianas, parece que Lula e Dilma terão mesmo que encarar dois palanques. Apesar do que tem dito, o presidente já fez isto antes: em 2006, foi apoiado por Humberto Costa (PT) e Eduardo Campos (PSB), ambos candidatos ao governo de Pernambuco. E deu apoio aos dois, sem nenhum problema.

Vislumbra-se campanha com muitos “camaleões”

Na sexta-feira, enquanto o governador Jaques Wagner (PT) e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB) recepcionavam o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff em Juazeiro, o ex-governador Paulo Souto (DEM) estava garimpando votos nos municípios do Oeste da Bahia. Em São Desidério, foi recebido pelo prefeito Zito Barbosa, que foi eleito pelo PMDB, mas está apostando no candidato do DEM, pelo que informa texto da assessoria de Paulo Souto.

Na comitiva do ex-governador, além dos aliados naturais, como o presidente estadual do PSDB, Antonio Imbassahy,  e o ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM), estava deputado federal José Rocha, que é do PR. A presença de Rocha mostra que o senador César Borges, presidente regional do PR, poderá não ter forças suficientes para levar todo o partido para a base aliada do governo estadual.

Os dois casos acima citados, do prefeito e do deputado, somente indicam que esta campanha eleitoral será uma das mais “camaleônicas” da história da Bahia. O que vai ter de gente ignorando a própria sigla para seguir os rumos do coração (ou da sobrevivência política) será uma enormidade.

Mais do que nunca os nomes dos candidatos vão suplantar os dos partidos, com raras exceções.

TSE amplia restrições aos candidatos

O Tribunal Superior Eleitoral está decidido a endurecer mesmo as regras do processo eleitoral, talvez como uma compensação ao corporativismo do Congresso Nacional, que adia toda proposta que visa à moralização. Ao divulgar as normas do calendário eleitoral, o TSE determinou que  todos os candidatos estão proibidos de participar de inaugurações de obras públicas a partir de 3 de julho. A norma anterior vedava a participação somente de candidatos aos cargos do Poder Executivo (presidente da República, governador e vices).

Nas alterações introduzidas, o TSE facilitou a vida do eleitor, ao permitir  que as pessoas que estiverem fora do seu domicílio possam votar para presidente da República em qualquer capital do país. basta, para isto, que o interessado informe à Justiça Eleitoral, entre 15 de julho a 15 de agosto, onde estará no dia das eleições.

Morte de Jânio Lopo é perda para o jornalismo

Registro, com muito pesar, o falecimento do jornalista Jânio Lopo, editor de Política do jornal Tribuna da Bahia  e diretor do site Política Hoje. Meu contemporâneo da Faculdade de Comunicação da Ufba, Jânio era uma figura afável e sempre simpática, embora de posições firmes e que não fugia de uma boa polêmica, como a que estava travando, nas últimas semanas, em torno das denúncias de irregularidades (corrupção mesmo) em diretorias da Ebal.

Ele faleceu no início da tarde desta sexta-feira (5) no Day Hospital da Fundação Bahiana de Cardiologia, no bairro da Pituba, onde estava internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva, após sofrer um infarto, e aguardava em coma induzido a realização de uma cirurgia para desobstruir a carótida. Pelo que soube, a burocracia pode ter causado sua morte, uma vez que sua família estava esperando, há 15 dias, que o seu plano de saúde autorizasse a cirurgia, o que agravou seu estado.

Sem entrar no mérito de quem é a culpa pela sua morte (ou se houve culpa de alguém), é uma perda lamentável para o jornalismo baiano.

Lula se conforma com dois palanques

Na visita que faz a Juazeiro, nesta sexta-feira, o presidente Lula experimentou, de certa maneira, como serão os dois palanques em favor de Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral. Lá estavam o governador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição, e também o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Este último bancando o anfitrião da obra que está sendo inagurada - a primeira etapa do Projeto Salitre, de irrigação - uma vez que ela está no âmbito do seu Ministério e ele participou ativamente da reativação dos serviços, que estavam paralisados.

Os dois lados tiveram suas claques e disputaram as atenções do presidente. E, negando que dissera antes, de que não iria comparecer a nenhum estado onde PT e PMDB estivessem em lados opostos, Lula falou, conformado: “Gostaria que os dois estivessem juntos. Mas, normalmente as condições políticas locais conduzem os nossos desejos para coisas que não estavam previstas. Não havendo a chapa única, vai ter a disputa política. Por mais que eles disputem, por mais que eles se xinguem, um dia vai ter o veredicto finalâ€.
A declaração dada nesta sexta-feira (05), em Juazeiro, pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, considerando fato consumado dois palanques na Bahia em apoio à candidatura da ministra Dilma Rousseff, encerra definitivamente as especulações sobre a possibilidade de uma reaproximação entre petistas e peemedebistas baianos. Essa é a opinião do presidente estadual do PMDB, Lúcio Vieira Lima, para quem o presidente Lula “jogou a toalhaâ€, em relação à possibilidade de uma nova junção à nível estadual, entre os dois partidos.
“O presidente compreende que o fato de ter dois palanques na Bahia não trará prejuízos ao projeto nacional de eleger o seu sucessor. Pelo contrário: haverá uma soma de votos. Confirmada a ministra Dilma como candidata, ela terá votos atraídos pelo PMDB, que provavelmente não teria se houvesse apenas um palanqueâ€, explicou.
Em Juazeiro, onde foi entregar lotes de terra da primeira etapa do Projeto Salitre, o presidente Lula, que esteve acompanhado pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB) e pelo governador Jaques Wagner (PT), disse que gostaria da unidade entre peemedebistas e petistas baianos, mas ressaltou que agora a decisão cabe ao eleitor.